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Luthieria em Acrílico


Nascimento
A Primeira Caixa
O Sr. Miguel
Hoje



Em Primeiro Lugar

Enquanto trocava idéias baterísticas com seu amigo Xuxa - da Pio Parts, e discutia sobre seu pedal que um dia pertenceu ao lendário Gene Krupa, Ivan Copelli escutava algumas músicas gravadas pelo amigo, um maravilhoso e bem tocado Acid Jazz com um som de caixa incrivelmente volumoso.

Algum tempo depois, o amigo revelou tratar-se de uma caixa de acrílico. Na seqüência, como não poderia deixar de ser, veio a pergunta "Mas qual a marca?"... e para a sua surpresa o amigo respondeu "Eu que fiz". Foi o suficiente... Mais rodadas de debate e o amigo explicou ao curioso Ivan Copelli que havia ganho o casco – sem emendas, "aberto mesmo", do Tibério (O Luthier) e que mesmo assim montou a caixa, furou e saiu tocando. Simples assim!

Com mais essa experiência sonora, Ivan Copelli sai atrás de uma caixa de acrílico, pois queria aquele som, aquela força! E após procurar muito, sem sucesso, deu conta de que não era tão simples assim, pois não existiam muitas caixas de acrílico pra vender e as poucas encontradas eram inacessíveis em razão do preço. Percebeu então que, da mesma forma como o amigo, teria que fazer sua própria caixa de acrílico e buscar aquele som, aquela força.

Como homem de marketing, Ivan Copelli havia trabalhado com muitos tipos de fornecedores, inclusive de acrílico. Sabia onde procurar e o que precisava fazer, só não sabia muito bem como, mas estava disposto a descobrir, a tentar. Finalmente, depois de consultar dezenas de fornecedores de acrílico (mais de 20), conseguiu alguém disposto a parar toda uma linha de produção para executar projetos e testes de moldes e modelos, tendo sempre como inspiração a Ludwig, conduzida pelo eterno JOHN BONHAM, carinhosamente chamado de "O Homi".

Passado algum tempo, alguns moldes e modelagens inadequadas, vários pares de tênis absolutamente perdidos pela cola escorrida e endurecida, e principalmente de muita paciência e persistência, conseguiu chegar a um produto final, com certa riqueza de detalhes como as bordas em 45° e uma emenda delicada, porém muito resistente. Começava nesse momento uma segunda fase de busca e aprendizado: a furação do acrílico. A pesquisa e desenvolvimento aconteceu da mesma maneira: nos horários vagos, à noite, sempre através da observação, tentativa e alguns erros, pois o acrílico é um material delicado, especial e como todo insumo, com seus próprios macetes e manhas.

Em paralelo, ou nos horários de almoço, e até bem mais à noite, a idéia da HUTCH DRUMS começou a crescer e tomar forma, desde a escolha do nome até sua cara, o logotipo. Neste momento de busca, de entender o que poderia estar por vir e, ao mesmo tempo, com a vontade de ter seu próprio instrumento tão desejado e até então inatingível, veio à mente uma lembrança de criança, o mesmo tipo de desejo, a tão sonhada bicicleta HUTCH, nome que não mais saiu da sua cabeça. Atrelado às boas sensações e lembranças trazidas pelo nome HUTCH, vieram e mesclaram-se as informações sobre o material, a essência do produto que estava começando a tomar forma, o acrílico, que é uma dos materiais criado pelo homem com o maior capacidade de reciclagem, nascendo assim um símbolo que refletia a idéia da sustentabilidade e do cuidado com o meio ambiente, o verde, a FOLHA VERDE.

Assim, entendendo o comportamento do material, das necessidades de preparo das chapas acrílicas antes da modelagem, do aquecimento até a colagem, e agora da furação, Ivan buscou as ferragens necessárias para montar seu instrumento. E elas tinham que ser especiais, assim como tudo o que cercava aquele projeto, já com nome e sobrenome: HUTCH DRUMS. Para tanto foi buscar estas ferragens naquela que sempre foi o sonho dos bateristas brasileiros, um ícone, a lendária Pinguim. Lá foi recebido de forma muito especial pelo Sr. Robson Rancon, que atualmente administra o legado das baterias Pinguim. E em meados de 2006 nascia a primeira Caixa HUTCH DRUMS.

Sem pensar duas vezes, Ivan Copelli passa a levar a SUA nova caixa aos ensaios. Inevitavelmente os bateristas com quem encontrava nos estúdios e shows ficavam enlouquecidos com o instrumento, com o som, e mais enlouquecidos ainda com o fato de ELE próprio tê-la feito, desenvolvido. Não demorou nada e esses mesmos bateras começaram a ver a possibilidade de também possuírem uma acrílica, e assim vieram os primeiros pedidos, furados e montados durante as noites na mesa da sala, deliciosamente artesanal, cada projeto, cada história, cada som, reforçando o interesse e mais, a viabilidade da HUTCH DRUMS.

A sala do apartamento em Guarulhos estava ficando cada vez menor e a idéia cada vez maior, assim como a busca pela melhoria, contando com os amigos para isto, amigos como Carlos "Gringo" - Trixsom Drums, Dinho - Led Drums e Edu Salviti - bateriasta da banda da Rita Lee, este último um dos primeiros experimentadores das caixas HUTCH, um músico com a capacidade e a honestidade necessárias nesse início. Além das melhorias técnicas, o idealizador Ivan passou a desenvolver detalhes estruturais e visuais, como o novo formato da badge HUTCH DRUMS e as próprias canoas, maciças, porém com a leveza do alumínio.

Com tanta evolução a HUTCH passou a necessitar cada vez mais de espaço e investimento técnico, além do próprio maquinário para modelagens e recortes. Neste momento entra um grande apoiador, "Seu Miguel". Sogro bravo e teimoso, porém generoso, e com visão empreendedora que percebeu na HUTCH e em seu idealizador Ivan, um futuro promissor e uma oportunidade de desenvolvimento de produtos com qualidade e sofisticação.

Através do Sr. Miguel, que cedeu espaço em sua indústria para a instalação dos primeiros maquinários, a HUTCH deu o primeiro e grande passo para sua consolidação, pois passou a ter estrutura para desenvolvimento dos trabalhos, como também de máquinas e equipamentos específicos para a fabricação dos tambores, levando em conta as especificidades do acrílico.

Depois de muita discussão técnica e superada a teimosia, o filho do Sr. Miguel, Miguel Neto deu seqüência ao trabalho iniciado pelo pai e Ivan, concebendo assim um forno especial para o acrílico, com capacidade para diversas chapas em tamanhos variados, sendo este o segundo e grande passo da HUTCH, pois assim conquistou sua independendencia, tendo o seu próprio forno, o coração da modelagem dos cascos HUTCH. E não parou mais, com a parceria de Miguel Neto desenvolveu a retífica para as bordas entre outros instrumentos que viabilizaram a construção dos cascos com mais precisão e agilidade.

Enquanto isto, possuindo apenas um site bastante modesto, toda a divulgação era feita pelo "boca a boca", por recomendação de outros músicos e clientes, o que na verdade é a melhor forma, a mais recompensadora, passando então a HUTCH a fazer cascos, caixas e baterias para todo o Brasil. Importante lembrar também do fórum do site www.batera.com.br, onde a HUTCH passou a ser citada, questionada, comentada e onde foram publicadas com eficiência as fotos dos trabalhos realizados, divulgando assim a capacidade e qualidade dos produtos HUTCH.

Atualmente a HUTCH DRUMS encontra-se sediada em São Paulo, em sua própria estrutura, e constantemente investindo em novos projetos em acrílico, colocando assim mais tijolos nesse muro que vem sendo construído.


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